O avesso da pele – Vencedor Jabuti 2021

O avesso da pele – Vencedor Jabuti 2021

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O que você precisa saber

O avesso da pele é um romance que se posiciona no segmento da literatura brasileira contemporânea de alta relevância social.

Vencedor do Prêmio Jabuti 2021 na categoria Romance Literário, a obra de Jeferson Tenório acompanha Pedro, um jovem negro que, após a morte do pai em uma abordagem policial, reconstrói a história de sua família em Porto Alegre.

A narrativa é estruturada como uma carta ao pai falecido e alterna entre três perspectivas: a do pai Henrique, a da mãe Martha e a do próprio narrador.

O livro aborda com sensibilidade e força temas como o racismo estrutural, a violência policial, a precariedade do ensino público e as complexas dinâmicas familiares.

Com mais de 24 mil avaliações e nota 4,8 estrelas, é uma leitura essencial para quem busca compreender as desigualdades sociais brasileiras.

A escrita em parágrafos longos e frases curtas confere um ritmo envolvente que prende o leitor do início ao fim.

Indicado para vestibulandos da UFRGS e UNIOESTE, é também leitura obrigatória para debates sobre identidade racial e relações familiares.

Comentários (5)

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AS
Alcir SantosComprador Verificado10 de abril de 2022

Sim, um murro no estômago, ou no baixo ventre, como queira. Esse Tenório, num inovador romance de costumes, toca sem piedade em dois nervos sensíveis, e expostos, do corpo da sociedade brasileira: a decadência do ensino público, com a desvalorização do professor; e a questão do racismo endêmico, incrustado no espírito das pessoas e difícil de erradicar. Sinaliza que podemos estar diante de uma nova geração de ótimos romancistas brasileiros, na trilha do enfoque das questões sociais. Neste romance, o autor esbanja categoria. Segura o leitor já no início da trama, sem deixá-lo perder o interesse até o grand finale, sem dar pistas de como será. Inovando na forma de escrever, utiliza basicamente frases curtas e parágrafos longos, dando um ritmo sincopado e agradável à leitura. Escolheu como forma narrativa uma carta que o filho escreve ao pai morto.

TK
Tiago KietzmannComprador Verificado14 de março de 2024

Eu precisei de alguns dias após terminar a leitura para formular qualquer comentário a respeito do livro. Sendo objetivo: me parece um livro essencial, uma leitura fundamental para discussão da sociedade brasileira. De um lugar dos privilégios da branquitude, ter contato com essa história foi avassalador. A imersão na experiência dessa família provoca uma ampliação da questão e considero ter sido fundamental para mim como experiência humana. Entretanto, acho que esse livro não se encerra na discussão de racismo, não que fosse um tema digno e suficiente para muitos livros, mas ele vai muito além disso. É um livro extremamente bem escrito, os personagens são fantasticamente bem elaborados, as emoções são escancaradas sem cair em clichês sentimentalistas e o modo como as histórias se desenvolvem reconstruindo uma memória é surpreendente. Não é uma leitura leve, apesar de extremamente fluida. Mas não tenho dúvidas de que é livro excelente e recomendo sem sombra de dúvidas!

TR
Taty RibeiroComprador Verificado16 de abril de 2024

Narra a história de Pedro, um jovem negro que decide passar pelo processo de luto através do resgate do passado de seu pai Henrique, morto numa abordagem policial. Ele reconta a história de seu pai desde a infância até sua morte, retratando sua dor de forma visceral e realista. Durante a leitura encontramos diversos tópicos sensíveis, principalmente relacionados ao racismo em suas diversas formas, diferentes relações familiares, violência policial, frustração na carreira de professor e recorte das dificuldades do sistema educacional brasileiro. É minha primeira leitura do autor Jeferson Tenório, e meu único arrependimento é de ter esse livro há dois anos e não ter lido antes, não foi à toa que recebeu o prêmio Jabuti em 2021. O livro conta com uma escrita fluída, um excelente embasamento social e histórico, além da magnífica construção de personagens reais e fáceis de se identificar.

AS
Ana SáComprador Verificado11 de maio de 2023

Há livros que nos calam. E O avesso da pele me calou. Foi daquelas leituras que paralisam, que nos fazem pensar que precisamos pensar sobre o que acabamos de ler. Acompanamos um narrador que nos apresenta a infância, a adolescência e a vida adulta de seus pais negros em uma Porto Alegre marcada pela desigualdade social e racial. Jeferson Tenório trata da negritude em sua pluralidade, razão pela qual o colorismo pode ser apontado como um dos elementos recordados pelo autor. O livro explora as graves implicações psicológicas do racismo diário, com destaque aos efeitos da violência racial praticada pelo próprio Estado. Eu diria que Jeferson Tenório serve um banquete literário neste romance, ainda que um banquete indigesto. Por isso, ao terminar a obra, me lembrei de Conceição Evaristo quando ela diz que já foi o tempo no qual os negros contavam histórias de ninar para os da Casa Grande.

DN
Douglas NogueiraComprador Verificado9 de janeiro de 2026

Através da perspectiva do filho, costura-se uma história de família com uma melancolia de doer na alma. Claro que o racismo é um dos alicerces da trama, pois os protagonistas são negros, mas a trama vai muito além disso. O preconceito é uma entidade sutil que se manifesta tanto em pequenos detalhes quanto de forma explícita. O estilo de escrita do autor em parágrafos únicos pode assustar em um primeiro momento, mas o texto flui tão bem que o susto passa rapidinho. Leitura contemporânea muito recomendável!

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