
Sociedade do cansaço
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O que você precisa saber
Publicado pela Editora Vozes em 2015, 'Sociedade do Cansaço' é uma obra filosófica compacta que propõe um diagnóstico incisivo do mal-estar contemporâneo.
Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha, argumenta que a sociedade atual deixou de ser disciplinar — marcada pela proibição e pela vigilância externa — para se tornar uma sociedade de desempenho, estruturada pela positividade, pelo 'você consegue' e pela autoexploração voluntária.
O sujeito não é mais oprimido por um outro visível, mas por ele mesmo, em nome da eficiência e da liberdade.
Essa mutação gera uma violência neuronal silenciosa, associada ao aumento de depressão, burnout, ansiedade e transtornos de atenção.
Com 136 páginas, o livro se apoia em referências como Foucault, Nietzsche e Hannah Arendt para investigar a perda do tédio profundo e a imposição de transparência total.
Com mais de 18 mil avaliações e nota 4,6 estrelas, é leitura obrigatória para quem busca compreender as patologias do século XXI.
Ideal para profissionais de educação, psicologia e gestão, além de leitores interesados em filosofia crítica e sociedade.
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Comentários (4)
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O livro é breve em extensão, mas realiza um diagnóstico preciso. Em poucas páginas, oferece uma boa leitura do mal-estar contemporâneo, deslocando o foco das formas clássicas de opressão para a autoexploração voluntária. A tese central é que não vivemos mais numa sociedade disciplinar, marcada pela proibição e pela vigilância externa, mas numa sociedade do desempenho, estruturada pelo excesso de positividade. O sujeito contemporâneo não é oprimido por um outro visível, mas por ele mesmo. As patologias típicas do nosso tempo — burnout, depressão, ansiedade, transtornos de atenção — não decorrem da repressão, mas do excesso. Um dos capítulos mais marcantes aprofunda esse diagnóstico ao resgatar a intuição de Nietzsche de que uma civilização incapaz de repouso caminha para uma nova barbárie. A força do livro está na precisão dos conceitos e na capacidade de nomear fenômenos difusos do cotidiano. Depois da leitura, torna-se difícil olhar para o trabalho, as redes sociais e até o lazer da mesma forma. É um livro curto, mas daqueles que continuam trabalhando dentro do leitor muito depois da última página.
Estive fora por 48 horas de casa e da internet. Olhando agora vejo tudo isso como um desfecho trágico. A verdade é que nunca antes fomos tão nocivos à vida e ao planeta. Han fala de uma sociedade que saiu da mera disciplina e se dirigiu para a sociedade do desempenho. O risco maior é que as pessoas forcem seu sistema neural a tal ponto que sofram verdadeiros infartos espirituais, transtornos e déficits de atenção e depressão recorrente, principalmente por que escassearam o próprio sistema de descanso e reparo. O homem que teme viver algum dia em uma dictatorship digital, mas se torna aos poucos ditador de si mesmo. A sociedade do desempenho é tão onipresente porque ela faz-nos crer que nós mesmos queremos isso. Sim, pois o mundo deseja intensamente que você se desenvolva para ser mais produtivo e rápido — mas não te dá a mínima chance de parar e respirar e contemplar. A Sociedade do Cansaço é uma sociedade do esgotamento individual. Para nos livrarmos desta sina, ele nos lembra que a sociedade que criou é a sociedade que redime.
Excelente livro, ajuda muito a compreender o que estamos vivendo atualmente.
Perfeito.